Arquivos mensais: janeiro 2014

EMDR

EMDR – (Eye Moviment Desensitization and Reprocessing)

“Dessensibilização e reprocessamento através dos movimentos oculares”.

O EMDR, é uma forma de processar aceleradamente desbloqueando o sistema de processamento da informação no cérebro.

Apesar de não termos conhecimento exato de como o EMDR, ou mesmo qualquer outra terapia atua no cérebro, temos algumas hipóteses.

Uma, a respeito do EMDR é que as experiências negativas de vida e/ou os traumas, alteram o equilíbrio bioquímico do sistema de processamento da informação cerebral. Este desequilíbrio impede que a informação seja processada adequadamente. Assim as percepções, emoções, crenças e significados derivados da experiência traumática ou de impacto,  ficam “bloqueadas” no sistema nervoso.

Outra hipótese, é a de que o EMDR, promove uma melhoria na comunicação entre os hemisférios cerebrais, permitindo que o material bloqueado no momento do trauma, seja dessensibilizado, processado e integrada de forma saudável.

Podemos dizer que a experiência traumática, forte ou impactante, congela a informação na sua forma original, gerando posteriormente, a mesma ansiedade, a mesma imagem, a mesma avaliação negativa de si mesmo e o mesmo afeto perturbador.

Sem ser processada de forma adequada, a informação fica atuando de forma a gerar transtornos e até o transtorno de estresse pós traumático, gerando, entre outros sintomas, pensamentos intrusivos, “fhashbacks” e pesadelos.

Funcionamento

O método funciona como catalizador do processamento da informação, resultando na difusão das imagens traumáticas e promovendo a reestruturação cognitiva completa, neutralizando o afeto negativo.

Depois que o incidente traumatico original, marcante ou impactante vivenciado pela pessoa está processado e integrado, os sintomas desaparecem. e a conduta adaptada pode ser instalada

Como

1 – Num primeiro passo o terapeuta foca no incidente traumático vivido pela pessoa e que estabeleceu a estrutura cognitivo afetiva indesejada.

2 – Depois o trabalho foca os gatilhos desencadeantes dos ambientes externos e internos que promovem as condutas mal adaptadas.

3 – E no próximo passo, a conduta cognitivo/afetiva desejada é instalada aumentando o sentimento de auto-estima e permitindo estabelecer uma nova pauta imaginária a longo prazo.

4 – Feito isso, é pedido ao paciente que anote qualquer lembrança ou incidente que provoque ansiedade ou perturbe as suas atividades, pois estes são indicadores da necessidade de novas intervenções para finalizar o processo e promover novas reestruturações cognitivas.

Cuide de si mesmo. Faça terapia.

Vínculo afetivo

EmpathyAvaliando dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita em centenas de crianças, pudemos verificar que entre as causas, estão principalmente: as falhas no processo ensino-aprendizagem, que podem ser resolvidas pedagogicamente; as dificuldades decorrentes de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor e da área de linguagem, muitos destes têm como causa provável a estimulação precária e ineficiente desde as mais tenras idades.

Notamos porém que as dificuldades emocionais decorrentes de falhas no vínculo afetivo, sem o desenvolvimento de uma auto-estima saudável, gera sentimento de menos valia, de insegurança, de impotência e medo, que impedem a criança de tentar, de correr riscos e de errar, sentindo-se ameaçada.

A criança tem necessidade de simplicidade, de ser feliz, de rir e de se sentir como um indivíduo respeitado e amado pelo que é. Ela deseja e quer ações que a toquem e que facilitem seu desenvolvimento integral e não só de seus processos mentais, de sua cognição. Ela não é só uma cabeça ou um número. Números e cabeças isolados não aprendem, não se desenvolvem. Ela é muito mais que isto: é um ser biológico, psicológico, social e cósmico que deseja viver plenamente. É fundamental poder tentar com alegria.

Aprender é parte desse todo e deve fazer sentido para este ser que aprende, para que ele deseje e se sinta feliz com isto. Aprender pode e deve ser prazeroso para todas as pessoas que participam do processo de ensino-aprendizagem. Só desta forma elas desejarão continuar. E nós desejamos que continuem.

Segundo as teorias psicológicas, a capacidade de vínculo está ligada à sanidade mental, à integração da personalidade, à “inteireza” do indivíduo, em outras palavras, à sua saúde mental.Mas o que é vínculo?Segundo o dicionário Aurélio, vínculo é a capacidade de ligar-se moralmente, de prender-se, é tudo o que ata, liga. Psicologicamente falando, o vínculo com o outro depende da capacidade e da qualidade da ligação interna, consigo mesmo, que em essência é a capacidade que os indivíduos têm de se reconhecerem como seres, de gostarem de si mesmos, de se respeitarem, de aceitarem suas dificuldades e suas qualidades como partes suas.

O desenvolvimento do vínculo se dá no contato mais íntimo e primário que a criança forma com aqueles que cuidam dela, com seus pais (ou cuidadores).Ele se cria através de algumas expressões simples, porém, como tudo que é simples, muito profundas: no tocar, no olhar, no falar, no marcar presença.

Na maioria das vezes, falamos com as crianças apenas para dar-lhes ordens ou fazer críticas a respeito do seu comportamento. O resultado disso é que a criança passa a achar que não é suficientemente boa; e, pior que isso, a agir como se de fato fosse má. Não nos preocupamos em dizer a elas coisas boas, contar sobre as suas vidas, contar coisas do dia-a-dia, o que fizemos, olhar para ela, tocá-la com carinho.

Não dizemos a elas o quanto as amamos, quais as qualidades que elas têm, com honestidade, essa é a verdadeira comunicação que precisa ser feita.Se olharmos para trás podemos nos lembrar de nós mesmos ainda crianças, o que gostaríamos de ter ouvido de nossos pais, o que precisávamos ouvir para nos sentirmos e sermos pessoas melhores, mais felizes, mais harmoniosas?

Se você é mãe ou pai, se convive com crianças ou foi uma criança que teve alguma dificuldade na formação de vínculos saudáveis, você pode mudar a sua vida. Faça terapia, invista numa vida melhor.